sábado, 21 de dezembro de 2013

Guerra e solidão

Após uma guerra comigo mesmo
saio cansado e ensanguentado
largado em confuso ermo
mas com ânsia de amor demorado

Assim, se o tempo me exige um termo
Logo arremesso um abraço apertado
Fatigando os desterros
Para enfim amar consolado

Mas a vida revira o momento
Lança olhos direto ao vento
Acaba com a calmaria
E me suga à rebeldia

Mudo as rimas e os versos
E termino querendo o caos das palavras
Como elas mesmas gostam
Como elas mesmas querem

As palavras, como eu mesmo, gostam da Guerra
Odeiam métricas e abusam do sangue
Mas sempre retornam ao belo sabor de uma letra idêntica
Só para dizer que contrariá-las também é amá-las

Sou como palavras
Sou múltiplo
Sou contraditório
Sou metade e vontade de tudo

Acabo com as rimas,
Mas não termino com as minas
Retomo as palavras
Mas as quero brabas

Por que sou de guerra
E não descanso em tempos de paz
Se almejo a gleba
Só para festejar “solitovoraz”


(Luis Cesar Fernandes de Oliveira, Ventre da Montanha, 21 de dezembro de 2013).

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