Após uma guerra comigo mesmo
saio cansado e ensanguentado
largado em confuso ermo
mas com ânsia de amor demorado
Assim, se o tempo me exige um termo
Logo arremesso um abraço apertado
Fatigando os desterros
Para enfim amar consolado
Mas a vida revira o momento
Lança olhos direto ao vento
Acaba com a calmaria
E me suga à rebeldia
Mudo as rimas e os versos
E termino querendo o caos das palavras
Como elas mesmas gostam
Como elas mesmas querem
As palavras, como eu mesmo, gostam da Guerra
Odeiam métricas e abusam do sangue
Mas sempre retornam ao belo sabor de uma letra idêntica
Só para dizer que contrariá-las também é amá-las
Sou como palavras
Sou múltiplo
Sou contraditório
Sou metade e vontade de tudo
Acabo com as rimas,
Mas não termino com as minas
Retomo as palavras
Mas as quero brabas
Por que sou de guerra
E não descanso em tempos de paz
Se almejo a gleba
Só para festejar “solitovoraz”
(Luis Cesar Fernandes de Oliveira, Ventre da Montanha, 21 de
dezembro de 2013).
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