A solidão parece oca, sem sentido
Ou ainda figura uma dor que não querer acabar mais
Ela se mostra quando estou pensando em companhias
Será que vem ser minha singular companheira, quando me faltam os
pares?
Solidão é adeus às companhias
É pegada forte, com punhos firmes e flexíveis
Parece não doer nos outros, apenas em mim
Mas se entrega fácil aos meus devaneios
Que companhia maravilhosa, essa tal solidão!
Não me furta as lembranças dos que amo
Nem me proibe de encontrá-los
Ela é uma companhia que só tem ciúmes do desolamento
Ah, esse sim... quando chega, surra a solidão
Dá-lhe uma face maculada pelas pancadas na face
Deixa-lhe os olhos tão argutos com uma cor de quem chora
Minha solidão sofre demais com o desolamento
Mas acha que ela sofre como coitada?
Não. Ela luta pela minha companhia
Como uma leoa ensanguentada, briga por seu filho dileto
Como amo essa minha matriarca
Esse ardiloso desolamento surge com a manhã
Para confundir minha dor e minha alegria
Emerge com a aurora, tranvestindo-se de amigo
Mas logo a minha solidão reage e lhe dá o rumo do abismo
Ah, como amo minha solidão, minha companheira!
Como ela me conforta, apesar de tão assolada pelo
desolamento constante
Se ela for embora, de qual modo serei companheiro dos que
amo?
Se ela não lutar por mim, como serei impetuoso e forte?
(Luis Cesar Fernandes de Oliveira, Ventre da Montanha, 08
de dezembro de 2013).
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