A mais dura solidão provém da ausência de culpa. Nada mais duro do que ser acometido pelo olhar acusativo da injustiça. Nada menos inoportuno do que saber-se aquém da miséria humana. Somente por ela, a solidão dura, satisfaço meu auditivo silêncio de felicidade.
Meus pés já caminham por conta própria. Minha boca saltita entre a dor e a alegria. Meu canto é de glória. Minha satisfação é de despertar altivos.
Meu peito esguicha a miséria humana em deleite. Me invade a vontade, que já era presente. Meu sono atordoado não me veio mais. Somente a ele digo uma expatriação.
Ao que acalma a alma dedico as palavras finais, e ao que sacia a sede de não encontrar mais os homens. Faço um brinde ao meu ocaso de glória, sem vertigem.
(Luís César Fernandes de Oliveira, Montanha, 16/dezembro/2007)
domingo, 16 de dezembro de 2007
O engasgo
Das costas do mundo, em crostas imundas, alfandegaram a arte e embalsamaram o artista.
Do centro da terra, do âmago do ser, retiraram o mistério e doaram razão ao prazer.
Seus olhos calcularam o mundo; seus ouvidos ritmaram, sem sopro ou corda, teclado ou couro, magia das coisas. Que revolta! Que engasgo! Jamais suportariam a totalidade e a multiplicidade do uno.
(Luís César, Montanha, 05/12/07)
Do centro da terra, do âmago do ser, retiraram o mistério e doaram razão ao prazer.
Seus olhos calcularam o mundo; seus ouvidos ritmaram, sem sopro ou corda, teclado ou couro, magia das coisas. Que revolta! Que engasgo! Jamais suportariam a totalidade e a multiplicidade do uno.
(Luís César, Montanha, 05/12/07)
Do bêbedo ao mendigo
Minha sobriedade corre um risco tremendo. Não há motivos plausíveis para cativá-la. Deixo que a vontade seja seu algoz. Proclamo uma noite de devaneio e glória.
Na profundidade da escuridão, um clarão salta aos olhos. Ele quer ser guia, mas ainda é superficial em demais. A noite lhe revela sua fraqueza, por ser tão só na imensidão. Entretanto, a profundidade lhe doa oportunidade por ter sede da diferença, do múltiplo...
Vede bem: sede é necessidade.
Devaneio e glória em contínuo estancamento, fluxo do possível e do necessário, uma pedra lançada ao mar, como o eterno contemplado no belo.
A foice cortou o cabo do martelo, que caiu sobre a lâmina e a cegou. O igualitário se interpôs em paredes de túmulo, que por sua vez se tornou lugar comum.
Será que um deus é sempre desfavorável ao povo? Depende... se o canto popular matar o cordeiro, açoitar o velho rei, e exaltar o prazer do corpo...
Será que retornar ao uno é tão medonho que não se possa negar o “amém” e dizer “avança”?
Avance necessariamente e por escolha... vá ao encontro do ser
Abandona o teu Deus, ó mendigo! Não vê que se tornou demasiado pobre. A predileção pela morte lhe seria o melhor remédio. Portanto, não desperdice o pouco que ainda lhe resta de si em vãs imolações alheias... Morra!
Um mendigo jamais conseguirá abandonar a sobriedade?
(Na montanha, 04/12/07)
(Luís César Fernandes de Oliveira)
Na profundidade da escuridão, um clarão salta aos olhos. Ele quer ser guia, mas ainda é superficial em demais. A noite lhe revela sua fraqueza, por ser tão só na imensidão. Entretanto, a profundidade lhe doa oportunidade por ter sede da diferença, do múltiplo...
Vede bem: sede é necessidade.
Devaneio e glória em contínuo estancamento, fluxo do possível e do necessário, uma pedra lançada ao mar, como o eterno contemplado no belo.
A foice cortou o cabo do martelo, que caiu sobre a lâmina e a cegou. O igualitário se interpôs em paredes de túmulo, que por sua vez se tornou lugar comum.
Será que um deus é sempre desfavorável ao povo? Depende... se o canto popular matar o cordeiro, açoitar o velho rei, e exaltar o prazer do corpo...
Será que retornar ao uno é tão medonho que não se possa negar o “amém” e dizer “avança”?
Avance necessariamente e por escolha... vá ao encontro do ser
Abandona o teu Deus, ó mendigo! Não vê que se tornou demasiado pobre. A predileção pela morte lhe seria o melhor remédio. Portanto, não desperdice o pouco que ainda lhe resta de si em vãs imolações alheias... Morra!
Um mendigo jamais conseguirá abandonar a sobriedade?
(Na montanha, 04/12/07)
(Luís César Fernandes de Oliveira)
sexta-feira, 23 de novembro de 2007
O canto da felicidade 1
Não sei quanto o tempo faz
Mas lembro do que produz
Talvez seja mero desmazelo, não sei de quem
Contudo, não gostaria de vê-lo longamente
Talvez a dúvida seja uma esquisitice
Mas não macula tanto quanto o tempo
Não digo de rugas
Não saliento verdades degenerativas
Visualizo a imensidão
Imploro pelo hoje
Ofusco o presente funesto
Saliento a invalidez da negação do primeiro parágrafo
Quero tocar a eternidade do tempo, mesmo na dúvida, com voz firme
Num canto forte e agudo
Junto ao coro, numa noite fértil
Numa terra que sente dor e alegria
O que me dá prazer é abandonar o contínuo
Lançar mão ao arado de quatro estrofes
Sem mesmo ter que casá-las
Sair e me juntar ao canto popular, fértil, em carnaval
Mas lembro do que produz
Talvez seja mero desmazelo, não sei de quem
Contudo, não gostaria de vê-lo longamente
Talvez a dúvida seja uma esquisitice
Mas não macula tanto quanto o tempo
Não digo de rugas
Não saliento verdades degenerativas
Visualizo a imensidão
Imploro pelo hoje
Ofusco o presente funesto
Saliento a invalidez da negação do primeiro parágrafo
Quero tocar a eternidade do tempo, mesmo na dúvida, com voz firme
Num canto forte e agudo
Junto ao coro, numa noite fértil
Numa terra que sente dor e alegria
O que me dá prazer é abandonar o contínuo
Lançar mão ao arado de quatro estrofes
Sem mesmo ter que casá-las
Sair e me juntar ao canto popular, fértil, em carnaval
sexta-feira, 9 de novembro de 2007
O canto da liberdade 1
Sair ao encanto do dia,
sombrear, por vezes, sem perceber,
após uma lágrima de noite.
Que solidão! Nunca vi mais dura.
Observar o carinho pequeno, com um ano e meio,
agarrado ao braço como se fosse aste de aço.
Seu sono inculca o solitário endurecido,
mas não lhe deixa de supor sorriso.
A mais dura solidão,
em tato endurecido.
A menos bruta vastidão,
em pele ingênua, livre.
Suave perigo que emana do bruto;
Forte odor que exala do livre;
Busca que exala em força;
Livre que suaviza o perigo.
Pronto, o dia veio
E não vi um porquê.
Não existe,
por desrazão do livre, na solidão.
sombrear, por vezes, sem perceber,
após uma lágrima de noite.
Que solidão! Nunca vi mais dura.
Observar o carinho pequeno, com um ano e meio,
agarrado ao braço como se fosse aste de aço.
Seu sono inculca o solitário endurecido,
mas não lhe deixa de supor sorriso.
A mais dura solidão,
em tato endurecido.
A menos bruta vastidão,
em pele ingênua, livre.
Suave perigo que emana do bruto;
Forte odor que exala do livre;
Busca que exala em força;
Livre que suaviza o perigo.
Pronto, o dia veio
E não vi um porquê.
Não existe,
por desrazão do livre, na solidão.
sábado, 13 de outubro de 2007
Amanhecer de novo, novo
Amar quase amanhecendo
Despertar com vontade de procriar
Procriar com vontade de continuidade
Amanhecer lavando o suor do amor
Refrescar a alma que está em chamas
Querer repetir as chamas amanhã
Perceber a escassez de água
Fazer brotar água do chão
Sentir o cheiro de minerais, indistintos na força da água
Saciar a vontade do corpo
Já esquecida a razão das coisas
Saciar a vontade do corpo mais ainda
Ainda em gozo, trazer à tona a infância
Uma mistura de ingenuidade e natureza
Talvez mais próximas e entranhadas do que imagino
Saciar a vida em desejos e prazeres
Sem regra para descrever
Cantar o canto de gozo
Sem ritmo
Sem dor
Esquecer a agitação de comércio
Tornar-me tão perfeito
Tão saciado
A caminho de outro prazer
Esquecer a razão das coisas
Saciar a desrazão das coisas
Satisfazer a irrazão em mim
Esquecer de mim
Ser só gozo
Ser só prazer
Ser só satisfação com o amanhecer
Esquecer à noite
Ainda que outra noite venha
Será para amanhecer de novo
Será para gozar de novo
Será para esquecer
Fazer
Gozar
Esquecer
Retornar sempre esquecendo
Sem dor ou culpa, apenas lavando o suor para fazer de novo, novo.
(Luis Cesar Fernandes de Oliveira)
Despertar com vontade de procriar
Procriar com vontade de continuidade
Amanhecer lavando o suor do amor
Refrescar a alma que está em chamas
Querer repetir as chamas amanhã
Perceber a escassez de água
Fazer brotar água do chão
Sentir o cheiro de minerais, indistintos na força da água
Saciar a vontade do corpo
Já esquecida a razão das coisas
Saciar a vontade do corpo mais ainda
Ainda em gozo, trazer à tona a infância
Uma mistura de ingenuidade e natureza
Talvez mais próximas e entranhadas do que imagino
Saciar a vida em desejos e prazeres
Sem regra para descrever
Cantar o canto de gozo
Sem ritmo
Sem dor
Esquecer a agitação de comércio
Tornar-me tão perfeito
Tão saciado
A caminho de outro prazer
Esquecer a razão das coisas
Saciar a desrazão das coisas
Satisfazer a irrazão em mim
Esquecer de mim
Ser só gozo
Ser só prazer
Ser só satisfação com o amanhecer
Esquecer à noite
Ainda que outra noite venha
Será para amanhecer de novo
Será para gozar de novo
Será para esquecer
Fazer
Gozar
Esquecer
Retornar sempre esquecendo
Sem dor ou culpa, apenas lavando o suor para fazer de novo, novo.
(Luis Cesar Fernandes de Oliveira)
Provisório
Ingênua, tosca, simplória? Não. Apenas. Nenhuma tentativa de volúpia textual, apenas a vontade de escrever, pois estou ensangüentado.
Afirmativa precedida de totalidade é digna de suspeita, assim como seus complementos. Raros prazeres estão em lançar totalidades ao ar. Desmenti-las é melhor ainda.
Nada semelhante ao movimento de mercado. As totalidades só podem ser abusadas por altivos. Os medíocres querem perpetuá-las. Sistematizam-nas em minúcias analíticas.
O ápice da fogueira da vontade está nos dedos do fogo. Os altivos abominam a lenha, sustento do fogo. Principalmente o combustível mais moderno. Paradoxo: combustíveis modernos sustentam o fogo dos altivos: crítica.
A negatividade moderna é o combustível dos criadores. Mesmo que os mesmos criadores brotem do mesmo terreno. Afinal, de uma terra vasta e fértil nascem ervas daninhas, assim como árvores enormes. Saborosos frutos são desfrutados em função dos solitários
(Luis Cesar Fernandes de Oliveira)
Afirmativa precedida de totalidade é digna de suspeita, assim como seus complementos. Raros prazeres estão em lançar totalidades ao ar. Desmenti-las é melhor ainda.
Nada semelhante ao movimento de mercado. As totalidades só podem ser abusadas por altivos. Os medíocres querem perpetuá-las. Sistematizam-nas em minúcias analíticas.
O ápice da fogueira da vontade está nos dedos do fogo. Os altivos abominam a lenha, sustento do fogo. Principalmente o combustível mais moderno. Paradoxo: combustíveis modernos sustentam o fogo dos altivos: crítica.
A negatividade moderna é o combustível dos criadores. Mesmo que os mesmos criadores brotem do mesmo terreno. Afinal, de uma terra vasta e fértil nascem ervas daninhas, assim como árvores enormes. Saborosos frutos são desfrutados em função dos solitários
(Luis Cesar Fernandes de Oliveira)
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