domingo, 16 de dezembro de 2007

A glória da solidão

A mais dura solidão provém da ausência de culpa. Nada mais duro do que ser acometido pelo olhar acusativo da injustiça. Nada menos inoportuno do que saber-se aquém da miséria humana. Somente por ela, a solidão dura, satisfaço meu auditivo silêncio de felicidade.

Meus pés já caminham por conta própria. Minha boca saltita entre a dor e a alegria. Meu canto é de glória. Minha satisfação é de despertar altivos.

Meu peito esguicha a miséria humana em deleite. Me invade a vontade, que já era presente. Meu sono atordoado não me veio mais. Somente a ele digo uma expatriação.

Ao que acalma a alma dedico as palavras finais, e ao que sacia a sede de não encontrar mais os homens. Faço um brinde ao meu ocaso de glória, sem vertigem.
(Luís César Fernandes de Oliveira, Montanha, 16/dezembro/2007)

Um comentário:

Unknown disse...

Como escreveu o poeta:
"... que as palavras, que eu falo,não sejam ouvidas como prece; apenas respeitadas; como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimento... "
E que a Glória da solidão, lhe faça sentir um doce sorriso, que lhe lembre a derradeira infância.
Luís, que teus olhos extingua o azeite, para alimentar as preces das lâmpadas.
Sê Feliz, Luís!!!!
Grande abraço.
Marinilson Claudio.