Minha sobriedade corre um risco tremendo. Não há motivos plausíveis para cativá-la. Deixo que a vontade seja seu algoz. Proclamo uma noite de devaneio e glória.
Na profundidade da escuridão, um clarão salta aos olhos. Ele quer ser guia, mas ainda é superficial em demais. A noite lhe revela sua fraqueza, por ser tão só na imensidão. Entretanto, a profundidade lhe doa oportunidade por ter sede da diferença, do múltiplo...
Vede bem: sede é necessidade.
Devaneio e glória em contínuo estancamento, fluxo do possível e do necessário, uma pedra lançada ao mar, como o eterno contemplado no belo.
A foice cortou o cabo do martelo, que caiu sobre a lâmina e a cegou. O igualitário se interpôs em paredes de túmulo, que por sua vez se tornou lugar comum.
Será que um deus é sempre desfavorável ao povo? Depende... se o canto popular matar o cordeiro, açoitar o velho rei, e exaltar o prazer do corpo...
Será que retornar ao uno é tão medonho que não se possa negar o “amém” e dizer “avança”?
Avance necessariamente e por escolha... vá ao encontro do ser
Abandona o teu Deus, ó mendigo! Não vê que se tornou demasiado pobre. A predileção pela morte lhe seria o melhor remédio. Portanto, não desperdice o pouco que ainda lhe resta de si em vãs imolações alheias... Morra!
Um mendigo jamais conseguirá abandonar a sobriedade?
(Na montanha, 04/12/07)
(Luís César Fernandes de Oliveira)
Nenhum comentário:
Postar um comentário