domingo, 8 de dezembro de 2013

Em companhia da solidão

A solidão parece oca, sem sentido
Ou ainda figura uma dor que não querer acabar mais
Ela se mostra quando estou pensando em companhias
Será que vem ser minha singular companheira, quando me faltam os pares?

Solidão é adeus às companhias
É pegada forte, com punhos firmes e flexíveis
Parece não doer nos outros, apenas em mim
Mas se entrega fácil aos meus devaneios

Que companhia maravilhosa, essa tal solidão!
Não me furta as lembranças dos que amo
Nem me proibe de encontrá-los
Ela é uma companhia que só tem ciúmes do desolamento

Ah, esse sim... quando chega, surra a solidão
Dá-lhe uma face maculada pelas pancadas na face
Deixa-lhe os olhos tão argutos com uma cor de quem chora
Minha solidão sofre demais com o desolamento

Mas acha que ela sofre como coitada?
Não. Ela luta pela minha companhia
Como uma leoa ensanguentada, briga por seu filho dileto
Como amo essa minha matriarca

Esse ardiloso desolamento surge com a manhã
Para confundir minha dor e minha alegria
Emerge com a aurora, tranvestindo-se de amigo
Mas logo a minha solidão reage e lhe dá o rumo do abismo

Ah, como amo minha solidão, minha companheira!
Como ela me conforta, apesar de tão assolada pelo desolamento constante
Se ela for embora, de qual modo serei companheiro dos que amo?
Se ela não lutar por mim, como serei impetuoso e forte?


(Luis Cesar Fernandes de Oliveira, Ventre da Montanha, 08 de dezembro de 2013).

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Superar

Aqueles que nos tiram algo que amamos são os mesmos que nos trazem algo novo. Por isso, não devemos chorar e sim aprender a amar o que nos foi dado.
(João Victor de Oliveira, 02 de novembro de 2013).

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Vida e Costume

Vida e costume são como ouro e ferro.
O ouro é raro.
O ferro é abundante e fácil.
Pintamos o ferro com a cor do ouro e fingimos vaidosamente que somos ricos.
A vida é rara.
O costume é abundante e fácil.
Pintamos o costume com a cor da vida e fingimos vaidosamente que vivemos.
(Luis Cesar Fernandes de Oliveira, no Ventre da montanha, aos 11 de novembro de 2013).

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Coragem e covardia

Se a sua tendência é servir, que o faça com coragem. Mas se a sua tendência é não servir, que o faça sem covardia, sem rédeas, sendo corajoso também.
Luis Cesar Fernandes de Oliveira
09 de janeiro de 2013.

sábado, 13 de outubro de 2012

Ovelhas, pastor e lobos...

Quem é mais nocivo às ovelhas: o pastor ou o lobo?... O pastor guarda as ovelhas para engordá-las, tosqueá-las e vender sua carne suculenta. O lobo as ataca para saciar-se. O pastor é um tipo "isolado" que arrebanha. O lobo é um tipo "solitário" que vive com a matilha. A diferença crucial é que a matilha "ataca" com as forças singulares dos lobos e o pastor "domina" com as forças de submissão do rebanho. Ainda permanece a dúvida?
(Luis Cesar Fernandes de Oliveira, Ventre da Montanha, 12 de outubro de 2012).

sábado, 8 de janeiro de 2011

IntensIDADE

Para viver com intensidade, é preciso ter paciência em dupla face: a paciência do escultor, que age com seus golpes (transmutadores) na matéria bruta, e a paciência do agricultor, que aguarda a ação da vida. Eis o jogo que se impõe: exige paciência em dupla face.
(Luis Cesar Fernandes de Oliveira, janeiro de 2011).

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

O que sou?

Minha mãe é do interior. Meu pai é do interior. Meu poeta é do interior. Eu só poderia ser um coração.
Ventre da montanha, 24 de agosto de 2009.
(Luis Cesar Fernandes de Oliveira)