sábado, 13 de outubro de 2007

Amanhecer de novo, novo

Amar quase amanhecendo
Despertar com vontade de procriar
Procriar com vontade de continuidade
Amanhecer lavando o suor do amor

Refrescar a alma que está em chamas
Querer repetir as chamas amanhã
Perceber a escassez de água
Fazer brotar água do chão

Sentir o cheiro de minerais, indistintos na força da água
Saciar a vontade do corpo
Já esquecida a razão das coisas
Saciar a vontade do corpo mais ainda

Ainda em gozo, trazer à tona a infância
Uma mistura de ingenuidade e natureza
Talvez mais próximas e entranhadas do que imagino
Saciar a vida em desejos e prazeres

Sem regra para descrever
Cantar o canto de gozo
Sem ritmo
Sem dor

Esquecer a agitação de comércio
Tornar-me tão perfeito
Tão saciado
A caminho de outro prazer

Esquecer a razão das coisas
Saciar a desrazão das coisas
Satisfazer a irrazão em mim
Esquecer de mim

Ser só gozo
Ser só prazer
Ser só satisfação com o amanhecer
Esquecer à noite

Ainda que outra noite venha
Será para amanhecer de novo
Será para gozar de novo
Será para esquecer

Fazer
Gozar
Esquecer
Retornar sempre esquecendo
Sem dor ou culpa, apenas lavando o suor para fazer de novo, novo.

(Luis Cesar Fernandes de Oliveira)

Um comentário:

Anônimo disse...

"Saciar a desrrazão das coisas" Parece perfeito! Quando se consegue algo assim realmente tudo se faz novo, como o amanhecer. Adorei!