quinta-feira, 30 de abril de 2009

Um tanto de mim

Centrado e disperso e centrado e disperso. Não sei se quando me olho meu olho não parece estar olhando ao que todos olham ou busco uma outra dispersão.
Antes, confuso, minha cunhagem estava em desobedecer. Hoje, com um olhar firme diante da plasticidade da vida, sou paradoxo que se revolve perpetuamente, que se volta sobre si mesmo e se afirma como outro; um tumulto de individualidade e imensidão; um largo lago de contradições.
(Luis Cesar, Ventre da Montanha, 30 de abril de 2009).

sábado, 24 de janeiro de 2009

Uma outra solidão

Por vezes, me encontro tão só que minha própria companhia se afasta. Mas retorna, e sou lançado à nova expansão de uma nova solidão, capaz do mais duro arremesso, entretanto, o mais leve dos saltos.
(Luis Cesar, Montanha, 24 de janeiro de 2009).

Futuro

No futuro, ou nossos bisnetos serão tomados pelo susto aterrorizador de termos utilizado rodas, ou serão possuídos pelo assombro de seus bisavós terem sido humanos.
(Luis Cesar, Montanha, 24 de janeiro de 2009).

sábado, 3 de janeiro de 2009

Coração

Agora sou um coração de tristeza e decepção... só eu sei o tamanho dele.
Não sei mais o que fazer com este descomunal, estranho e fiel armeiro. Poderia permanecer chamando-o de triste, mas ele mesmo pulsa naturalmente em prantos para outro lugar, incomum e não menos desconhecido.
Acho que meu pulsar quer sair e dar adeus ao que o deixa triste.
Pior é saber que nada o dá razão... Alguém já viu coração com razão?
Já sei bem o que fazer com o meu coração nesta noite tão escura... Até a volta, razão... meu coração, triste e só, só quer ser coração.
(Luis Cesar, Montanha, dia de mudar).

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

O pássaro e o peixe

Como alguém consegue viver sem a torrente oscilante do oceano e do vento? Pior: como alguém consegue atrapalhar um pensamento e entender que está tudo bem? Mergulho em tristeza quando o cotidiano me afasta da oscilação entre o vento e o oceano. Minha alma é sangüínea. Estouro, esbravejo. Meu desejo é lançar as mãos longe daqueles que têm a alma quieta e fria. Não suporto a desvantagem de ser obrigado à meiguice de gente que só sabe navegar. Não me imagino sem oscilar entre o mergulho e vôo. Sou pássaro e peixe. Por essa dupla natureza, minha solidão é inevitável. Abandonar é meu ofício, assim como retornar. Não sou responsável pela natureza mesquinha e limitada dos alheios. Sou mais de um, por isso me estranham sempre. E assim, vivo infinito.
(Luis Cesar, Montanha, 29 de dezembro de 2008).

Quem sou eu?

Por vezes, o vento. De outras, o veleiro. Ainda, a vela. Sou o oceano e a praia, até mesmo terra firme. O mais importante é que, possível e necessário, sou.
(Luis Cesar, Montanha, 29 de dezembro de 2008).

sábado, 20 de dezembro de 2008

Intuição matutina

Minha alma é sanguínea, logo existo.
(Luis Cesar, Montanha, madrugada do sábado, 20 de dezembro de 2008).